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Ambientes geológicos e seus processos mineralizadores

Updated: Sep 19, 2021

A maior parte dos grandes depósitos minerais mundiais são produtos de uma casual sobreposição de processos geológicos que resultaram em uma concentração anômala de minérios, durante um extenso período de tempo. A sua formação pode ser decorrente de processos tectônicos, magmáticos, termais e sedimentares que se instalam ao longo dos limites de placas.


Tectônica global e depósitos minerais


Depósitos minerais não estão distribuídos de forma aleatória na crosta. Sua distribuição acompanha a divisão geotectônica da Terra e, após as tectônicas de placas, sabe-se que mineralizações com determinadas características possuem preferência na formação em tipos de feições tectônicas e litotipos específicos.


As margens de placas tectônicas de maior interesse metalogenético são as convergentes e as divergentes. As margens continentais passivas, de posição intraplaca, também são importantes locais para certas mineralizações.


Configurações extensionais


Em áreas oceânicas, ocorrem mineralizações de sulfetos nas cadeias meso-oceânicas atuais, como exalações na dorsal do Oceano Pacífico e lama metalífera no Mar Vermelho. Além disso, são observadas mineralizações em ofiolitos, como os sulfetos vulcanogênicos de Cu-Zn no Canadá e Cr na Turquia, e nódulos polimetálicos de Fe, Mn, Ni e Cu no assoalho oceânico.

Figura 1 – Rifte incipiente / hotspot intracontinental. Fonte: ROBB, 2005.
Figura 1 – Rifte incipiente / hotspot intracontinental. Fonte: ROBB, 2005.

A Figura 1 representa o início de um rifte em uma crosta continental estável, na qual o afinamento e extensão podem estar relacionados à atividade de hotspots. O magmatismo é geralmente alcalino ou ultrapotássico, com a presença de kimberlitos que, por vez, contêm diamantes.


Depósitos minerais formados nessa configuração são representados pelos granitos anorogênicos, como os do Complexo Bushveld na África do Sul, contendo Sn, W, Mo, Cu, F, Nb, etc., e as intrusões piroxênio-carbonáticas de Phalaborwa no mesmo país, contendo Cu, Fe, P, U, REE, etc. Riftes intracontinentais também podem abrigar depósitos sedimentares exalativos (SEDEX), dispostos como lentes de sulfetos maciços de Pb e Zn com Ag, Ba e Cu associados, formando-se em áreas de sedimentação com muita atividade hidrotermal, propiciando a formação localizada de salmouras ricas associadas com matéria orgânica redutora.


Em áreas continentais, são encontrados depósitos de Ni e Cu em basaltos, como na Rússia e mineralizações em rochas magmáticas associadas a rifte continental, como os granitos estaníferos e carbonatitos com Nb, apatita e elementos terras raras no Brasil.

Figura 2 – Zona de rifte intercontinental. Fonte: ROBB, 2005.
Figura 2 – Zona de rifte intercontinental. Fonte: ROBB, 2005.

A figura 2 representa uma zona de rifteamento intercontinental. Quando o rifteamento se estende ao ponto da abertura de um oceano, o vulcanismo basáltico marca o local de uma bacia oceânica em que existe atividade hidrotermal exalativa e formação de depósitos de sulfetos maciços vulcanogênicos (VMS). Essa configuração promove o ambiente adequado para a sedimentação e precipitação de formações ferríferas bandadas e sedimentos manganesíferos.

Figura 3 – Cordilheira meso-oceânica e cadeia gerada por hotspot do tipo Havaí. Fonte: ROBB, 2005.
Figura 3 – Cordilheira meso-oceânica e cadeia gerada por hotspot do tipo Havaí. Fonte: ROBB, 2005.

Configurações Compressionais


Em áreas de colisão oceano-continente e/ou oceano-oceano, ocorrem depósitos de sulfetos polimetálicos como Cu, Pb e Zn e vulcanogênicos, como no Japão; mineralizações porfiríticas de Cu, como no Chile; e depósitos hidrotermais de Sn, W, Bi, Pb, Zn e Ag, como na Bolívia e no Peru.

Figura 4 – Colisão oceano-continente tipo Andes. Fonte: ROBB, 2005.
Figura 4 – Colisão oceano-continente tipo Andes. Fonte: ROBB, 2005.

A Figura 4 representa a colisão oceano-continente, típica da cordilheira dos Andes. Estes locais concentram os pórfiros de Cu-Mo do mundo, enquanto no interior do arco ocorre significante cristalização de granitoides Sn-W. As regiões vulcânicas acima dos sistemas porfiríticos são também os lugares de mineralização epitermal de metais preciosos.

Figura 5 – Bacia de inter-arco e arco de ilha (colisão oceano-oceano). Fonte: ROBB, 2005.
Figura 5 – Bacia de inter-arco e arco de ilha (colisão oceano-oceano). Fonte: ROBB, 2005.

A Figura 5 representa a colisão oceano-oceano, formando um arco de ilhas. Depósitos porfiríticos de Cu-Au ocasionalmente ocorrem nos estágios de magmatismo inicial dessas configurações, enquanto que, depois, o magmatismo mais evoluído calcário-alcalino expõe os depósitos de VMS do tipo Kuroko (Japão), formados por pirita, calcopirita, esfalerita, galena, barita e quartzo.

Figura 6 – Arco de ilha com bacia de retroarco. Fonte: ROBB, 2005.
Figura 6 – Arco de ilha com bacia de retroarco. Fonte: ROBB, 2005.

Em áreas com colisão continente-continente, ocorrem mineralizações de Sn e W, como na província estanífera do sudeste asiático, e depósitos de Pb-Zn em rochas carbonáticas, como nos EUA.

Figura 7 – Colisão continente-continente do tipo Himalaia. Fonte: ROBB, 2005.
Figura 7 – Colisão continente-continente do tipo Himalaia. Fonte: ROBB, 2005.

A figura 7 representa uma zona de colisão continente-continente, onde a crosta oceânica é totalmente consumida. Exemplos modernos como o Himalaia e os Alpes não parecem ser significamente mineralizados, o que pode ser um produto da exumação insuficiente de zonas mineralizadas. Exemplos mais antigos preservam mineralizações de Sn, W e U em granitos, enquanto fluidos controlados pela orogenia ascendem sistemas auríferos relacionados a veios e depósitos de Pb-Zn são preservados em plataformas sedimentares.


Margens Passivas


Plataformas continentais comumente abrigam depósitos de petróleo, gás natural, evaporitos e fosfatos, como as bacias marginais do tipo Atlântico no Brasil (Sergipe-Alagoas, Recôncavo-Tucano e Campos). A sedimentação carbonática fornece rochas que contém depósitos do tipo Vale do Mississipi (MVT), embora os processos hidrotermais que permitem a ascensão dos depósitos epigenéticos de PB-Zn são tipicamente associados com circulação durante estágios compressionais de orogenia.


Bibliografia


ROBB, L. (2005) Introduction to Ore-Forming Processes. Blackwell Science, 373 pp.

TEIXEIRA, W. (ORGS.) ET AL. Decifrando a Terra. 2.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. 623 p.


Autor: Deniro Felipe


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