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Depósitos Epitermais

Os depósitos epitermais são uma classe de depósitos hidrotermais epigenéticos formados em temperaturas relativamente baixas (< 300° C), ao redor de centros vulcânicos e campos geotermais, e em ambientes rasos com profundidades entre 1 e 2 km.


Comumente associados a vulcanismo cálcio-alcalino continental, estes depósitos possuem grande importância na exploração, sendo reconhecidos pela capacidade de gerar amplas variedades de depósitos ricos em metais base, como Pb e Zn, e metais preciosos, como Au e Ag.


Pode ser encontrado em diversos tipos de ambientes geológicos, tendo em vista os seus diversos fatores condicionantes, além de serem extremamente variáveis em suas geometrias, controladas pela permeabilidade das rochas hospedeiras da mineralização (parâmetros estruturais, hidrotermais, tipo de rocha e textura).

Figura 1 - Esquema ilustrando a formação de depósitos epitermais e porfiríticos. Fonte: amazonaws.com.


Conforme ilustrado na Figura 1, a origem dos depósitos epitermais está ligada a grandes sistemas hidrotermais convectivos, que são movimentados por calor magmático nos primeiros quilômetros da crosta terrestre. Enquanto ativos, estes sistemas descarregam na superfície fluídos muito quentes como hotsprings (emergência de água subterrânea aquecida).


Os principais condutos de circulação de fluidos são ligados às estruturas de falhas, gerando depósitos na forma de veios, associados à lixiviação de componentes das rochas encaixantes e fragmentação por brechas hidráulicas. Em sua origem, estes depósitos são diretamente relacionados com depósitos do tipo porfirítico.


Ambiente Geotectônico

Figura 2 - Posição dos depósitos epitermais em arco magmático de zonas de subducção. Fonte:GEOMINAS (2017).


Os depósitos epitermais associam-se a arcos magmáticos de zonas de subducção relacionadas com o vulcanismo intermediário e félsico, e têm sua gênese ligada a zonas extensionais com falhas normais e fraturas de extensão, próximas da superfície acima dos depósitos porfiríticos.

Os depósitos epitermais e os porfiríticos possuem como origem o mesmo processo magmático, sendo os epitermais relacionados ao vulcanismo e, os porfiríticos, ao plutonismo. Os dois sistemas progridem um para o outro, havendo superposição entre eles, conforme ilustra a Figura 2.


Classificação


Atualmente, os depósitos epitermais são subdivididos em 3 grupos principais de mineralizações, de acordo com o conteúdo de enxofre (estado de sulfetação):


alta sulfetação (HS, high sulphidation): Fluidos ácidos oxidados produzidos durante a cristalização de magmas. Geram mineralizações de sulfetos ricos em pirita e assembleias que incluem minerais de alta sulfetação, como enargita, calcopirita, luzonita e covalita. Os principais metais produzidos são o Cu e Au;


sulfetação intermediária (IS, Intermediate Sulfidation): Fluidos intermediários. Neste caso a mineralização pode apresentar ocorrência de ouro como mineral nativo, associado com teluretos junto com uma variedade de sulfetos de metais base e sulfossais;


baixa sulfetação (LS, low sulphidation): Fluidos reduzidos (~ neutros) com grande contribuição de água meteórica. Formação de sulfetos como a pirita, pirrotita, arsenopirita e esfalerita rica em ferro, refletindo o caráter reduzido em relação ao enxofre. Os principais metais associados são Zn e Pb, com Cu, Au e Ag associados.


Epitermal de alta sulfetação


São formados por fluidos de enxofre oxidados e ácidos, normalmente acima do conduto vulcânico. Esses sistemas ocorrem nas proximidades dos condutos principais (vulcânicos-hidrotermais), onde são descarregados os vapores magmáticos em superfície, sendo importante a mistura de fluidos.


Suas principais características são as fumarolas de alta temperatura e condensados de água extremamente ácida em desequilíbrio com as rochas encaixantes, refletindo sua filiação magmática. O forte controle estrutural que causa a ascensão rápida destes fluidos é responsável pela natureza reativa destes e pela geração de um sistema dominado pelos fluidos. As intrusões que originam a convecção dos fluidos podem ser rasas, chegando a atingir a superfície.


Epitermal sulfetação intermediária


Os depósitos de sulfetação intermediária ocorrem geralmente associados espacialmente aos depósitos de alta sulfetação e com sistemas pórfiros, sendo encontrados principalmente em arcos magmáticos compressivos e também em ambientes extensionais.


Na escala de depósito, a mineralização ocorre em veios, stockworks e brechas, sendo tipicamente enriquecida em sulfetos de metais de base (calcopirita, galena, esfalerita) e carbonatos com manganês ou de manganês (calcita manganesífera e rodocrosita).


Epitermal de baixa sulfetação


Mineralizações formadas por um fluido redutor profundo, com pH aproximadamente neutro. Geralmente os depósitos de baixa sulfetação formam-se distantes da suposta fonte magmática, a temperaturas de 200°C e 300°C, geradas por alteração argílica intermediária.


Os fluidos ganham grande participação de águas meteóricas e teoricamente o magma pode ser apenas o motor térmico que promove a circulação de águas bacinais e meteóricas. Os fluidos também estão em equilíbrio com suas rochas hospedeiras devido a ascensão relativamente lenta, resultando em um sistema dominado pela rocha.


Alteração Hidrotermal

Figura 3 - Distribuição espacial das zonas de alteração hidrotermal de um sistema epitermal. Fonte: GEOMINAS (2017).


As mineralizações do tipo epitermais são formadas por fluidos hidrotermais que circulam livremente próximo da superfície, eventualmente escapando para a superfície. Conforme observado na Figura 3, os metais preciosos estão associados com o processo de silicificação que forma os veios de quartzo. Os veios formados são envolvidos pela alteração do tipo sericítica, com a ocorrência de adularia, sericita e pirita, nas regiões de maior profundidade, e ilita, calcita e pirita nas regiões mais superiores. Quando se aproximam da superfície, os veios são envolvidos pela alteração argílica, com a ocorrência da caulinita, alunita e pirita. A parte mais externa é composta pela alteração propilítica, com clorita, epidoto e carbonato que envolve as outras alterações. Na superfície, o sistema é encoberto por uma camada silicosa, constituída por opala, cristobalita e cinábrio.

Figura 4 - Mineralização em depósitos epitermais. Fonte: edisciplinas.usp.br.


Na mineralização de alta sulfetação, a alteração hidrotermal se dá pelo processo de substituição da rocha encaixante, formando halos pervasivos de alteração argílica a base de sílica, alunita, barita e anidrita. Por cima, ocorre uma litocapa estéril, com um núcleo silicoso e um halo de quartzo-alunita, mineralizado a Cu, Au, As (Ag, Pb).


Na sulfetação intermediária, nas porções mais próximas da mineralização, a alteração hidrotermal é marcada pela ocorrência de carbonato, quartzo, ilita e adularia, enquanto nas porções distais temos a ocorrência de ilita – esmectita como alteração propilítica.


Na baixa sulfetação, o par mineral característico é a adularia – sericita (que de fato é uma ilita, mineralogicamente). Ocorrem veios de calcedônia e calcita (roscoelita). Os metais principais são Au e/ou Ag (Zn, Pb, Cu).


Referências Bibliográficas


Curso De Especialização Em Geologia De Minas E Técnicas De Lavra À Céu Aberto (Geominas). Belém 2019. 281p


Sillitoe, 1993. Epitermal Models: Genetic types, geometrical controls and shallow feactures.


Press F, Siever R, Grotzinger J, Jordan T.H. 2006. . 6ª ed. Bookman. Porto Alegre. 656p.


Teixeira W, Fairchild T. R, Toledo M. C. M, Taioli F. 2009. , 2a Edição. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 623p.


Autora: Rafaela Tavares

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