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Província Mineral de Alta Floresta



Introdução


A Província Mineral de Alta Floresta (PMAF) ou Província Aurífera de Alta Floresta (PAAF) recebe este nome devido à proximidade com o município homônimo, ao norte do estado de Mato Grosso (Figura 1). Está inserida no centro-sul do Cráton Amazônico, está situada entre duas províncias geocronológicas: as Províncias Tapajós-Parima (2,03-1,88 Ga) e Rondônia-Juruena (1,82-1,54 Ga).



Figura 1 – Localização ampliada no mapa político brasileiro o município de Alta Floresta. Fonte: Zortea, Marcelo & Schuingues, Cristiano & Gervazio, Wagner & Yamashita, Oscar & Roboredo, Delmonte & Cardoso, E.s & Moreno de Pedri, Eliane. (2018). QUINTAIS AGROFLORESTAIS URBANOS: REFÚGIO DE RESILIÊNCIA


É conhecida como uma das principais reservas auríferas do país, chamando atenção por ser uma província metalogenética em exploração de ouro de alto teor. Teve seu início em meio a febre do ouro na década de 1980, por meio de atividades garimpeiras. Sua extração ocorre, majoritariamente, em rochas que possuem características distintas, marcados pela abundância de rochas graníticas associadas à vulcânicas ácidas a intermediárias.


As rochas metamórficas relativamente antigas são as principais responsáveis pela ocorrência de minério na área. Corpos graníticos posteriores e rochas intrusivas básicas foram hidrotermalizadas, enquanto as rochas encaixantes foram afetadas por ação tectônica. O tempo de formação dos depósitos de ouro na área é principalmente no período Pré-cambriano, assim como outros depósitos de ouro explorados na região amazônica.


Geologia Regional


A Província de Alta Floresta está relacionada a um processo de evolução geológico-geotectônico complexo. A origem deste local remonta ao Arco Magmático Juruena, originado por um processo de orogênese que apresentou movimentos compressivos com direção SW até NE, resultando em um deslocamento da crosta oceânica e originando em uma subducção e consumo da placa oceânica (Figura 2). O Arco em questão é composto por rochas metamórficas de fácies anfibolito e granulito, além de sequências plutono-vulcânicas.


Figura 2 - Mapas esquemáticos com os modelos de compartimentação geotectônicos-geocronológicos do Cráton Amazônico, com a localização da área. A) Tassinari & Macambira (1999) e B) Santos et al. (2000).


Limita-se a Província de Alta Floresta a norte pelo Gráben do Cachimbo e, a sul, pelo Gráben dos Caisbis. Na província encontra-se, principalmente, por sequências plutono-vulcânicas originadas em arcos continentais paleoproterozoicos, também por porções metamorfizadas de xisto-verde limitadas às suas regiões centrais e noroeste.


Esta região teria se formado pela justaposição de ao menos três arcos magmáticos insulares de idades entre 1,90 a 1,80 Ga, 1,80 a 1,65 Ga e 1,65 a 1,55 Ga. As características geológicas das sequências supracrustais, bem como a petrologia e a geoquímica das rochas são típicas de ambiente continental. Estes dados sugerem que a província se formou não pela justaposição de arcos magmáticos insulares, e sim pela da sobreposição de pelo menos dois arcos magmáticos continentais sobre uma crosta paleoproterozoica mais antiga, que culminou com a justaposição da PAAF à Província Mineral do Tapajós.


Figura 3 - Domínios Estruturais da PMAF (CPRM, 2019).


As mineralizações auríferas e de metais de base na PAAF ocorrem alinhadas ao longo de um trend de direção WNW-ESE (Figura 3) e, embora diferentes modelos genéticos para esses depósitos tenham sido propostos, é consensual que as mineralizações são espacial e temporalmente relacionadas às suítes plutono-vulcânicas paleoproterozóicas do tipo I.


Estratigrafia


Na região de Alta Floresta as principais unidades litológicas reconhecidas e reportadas na literatura serão descritas a seguir:



Tabela 1 - Principais unidades geológicas, geocronologia e ambiente tectônico da Província Aurífera (modificada de Assis, 2008).


● Sequências sedimentares:

− Depósitos aluvionares (Cascalho, areia, silte e argila);

− Coberturas Detrito-lateríticas (Formação Dardanelos) (Sedimentos areno-síltico-argiloso mal selecionados e imaturos, laterizado e/ou ferruginosos).


● Unidades plutono-vulcânicas anorogênicas e pós-colisionais (granitos tipo A):

− Pórfiro União do Norte (Álcali-feldspato granito a monzogranito porfirítico); e

− Suíte Intrusiva Teles Pires (Álcali-feldspato granito, granito porfirítico, granófiros, riolito, riodacito, dacito, andesito, tufos, brechas e ignimbrito).


● Unidades plutono-vulcânicas e sequências Vulcano-sedimentares (granitos tipo I):

− Suíte Colíder (Rochas vulcânicas, subvulcânicas, piroclásticas e epiclásticas intermediárias a ácidas);

− Granito Peixoto (Biotita monzogranito, biotita granodiorito e biotita tonalito);

− Suíte Granodiorítica União (Biotita-hornblenda granodiorito e biotitahornblenda tonalito);

− Suíte Granítica Indiferenciada União do Norte (Sienogranito, monzogranito, sienito e quartzo-monzonito);

− Suíte Intrusiva Matupá (Biotita granito, biotita monzogranito, hornblenda monzogranito, biotitahornblenda monzonito, hornblenda monzodiorito, biotita-hornblenda monzogranito, biotita monzogranito porfirítico sieno-monzogranito porfirítico-rapakivi);

− Granito Nhandu (Sienogranito, monzogranito com sub-vulcânicas subordinadas);

− Granito Aragão (Sienogranito, monzogranito com fácies porfirítica e microgranítica);

− Unidade Vulcanoclástica Serra Formosa (Arenito-feldspático, grauvaca-feldspática, arenito-lítico e conglomerado arenoso polimítico matriz-suportado).


● Embasamento: supracrustais e sequências plutônicas metamorfizadas:

− Granitóides do embasamento (Quartzo diorito, tonalito e granodiorito geralmente foliados);

− Gnaisses e migmatitos (Anfibolito e ortognaisse de composição monzonítica, tonalítica e granítica, parcialmente migmatizados).



Tipos de Depósitos


Os depósitos originados a partir de soluções quentes são muito mais numerosos do que aqueles formados pelos demais processos. Mineralizações desse tipo normalmente ocorrem a grandes profundidades, seja na crosta continental, seja no fundo do mar, e são conhecidos como depósitos hidrotermais, formados em associação com soluções salinas quentes.


Depósitos porfiríticos ocorrem próximo ou dentro de intrusões dioríticas ou granitoides de textura porfirítica, dentro de arcos magmáticos, relacionados espaciais, temporais e geneticamente. Esses depósitos representam uma das classes econômicas mais importantes das reservas de minerais não ferrosos do mundo.

Na Província Mineral Alta Floresta, existe um sistema de stockwork mineralizado predominante nos depósitos de Jutaí, Paraíba, Serrinha, Alcântara, Carbeirinho e Abacaxis, apresentando semelhanças com os depósitos pórfiro Au, tais como mineralização disseminada e presença de magnetita hidrotermal. O principal representante deste tipo é o depósito de Serrinha no Domínio Alta Floresta (Figura 4).


Os depósitos de Au podem ser enquadrados, predominantemente, como do tipo epitermal de baixa sulfetação e por ouro pórfiro, depósito de Serrinha, e provavelmente SEDEX (sedimentar exalativo) ou VMS (sulfetos maciços vulcanogênicos) Garimpo do Fabinho.



Figura 4 - Modelo esquemático para a gênese e evolução das mineralizações auríferas na Província Alta Floresta, modificado de Moura (1998). Estágio A) depósito de Au pórfiro com pirita-cúpula de plúton-granítico calcioalcalino, tipo I, oxidado, gerado em ambiente de arco plutovulcânico, a partir de fluido magmático hipersalino (30-60% NaCl eq), tipo Depósito de Serrinha (Moura, 1998). B) Estágio tardio-epitermal de baixa sulfetação, gerado em condições mais rasas na crosta (2-3km). Com mistura do fluido salino com água meteórica, (<20% NaCl eq.). Arco pluto-vulcânico Juruena (Assis, 2008).


Depósitos Auríferos


As características geoquímicas permitem classificar essas rochas como predominantemente cálcio-alcalinas, metaluminosas a peraluminosas, de médio a alto teor de potássio, com composições mineralógicas variando de granodioritos a álcali-feldspato granitos. O ouro comumente ocorre associado ao Cu e/ou com Zn e Pb em veios de quartzo e de sulfetos, em stockworks e disseminados em rochas hidrotermalizadas. Estudos em inclusões fluidas no quartzo, isótopos de oxigênio de veios mineralizados e enxofre em sulfetos são indicativos de importantes contribuições de fluidos magmáticos na gênese das mineralizações.


Algumas das mineralizações de Au ± Cu com teores subordinados de molibdênio têm características que podem ser associadas a sistemas do tipo pórfiro, em especial com aqueles geoquimicamente mais evoluídos e formados em porções mais distais da trincheira. A distribuição em uma faixa relativamente ampla destas mineralizações também sugere que o ângulo da subducção pode ter sido relativamente baixo. As mineralizações em rochas plutônicas mais antigas no setor leste da província (ca. 1,90 Ga) relativamente às vulcânicas e subvulcânicas do setor oeste (ca. 1,80 a 1,79), sugere, adicionalmente, um nível de erosão mais acentuado na porção leste, talvez devido à tectônica neoproterozóica do cinturão Araguaia.


O Garimpo na PMAF


Entre os anos de 1980 e 1998, na PMAF, foram extraídas cerca de 125 toneladas de ouro, através de atividade garimpeiras, atualmente quase todas desativadas (Figura 5). Tal atividade teve seu ápice nas décadas de 80 e 90 quando a produção anual média era de 1,3 tonelada de ouro. Com o avanço da mineração predatória nos depósitos secundários e a maior rigidez na fiscalização ambiental por órgãos responsáveis, a atividade chegou à exaustão e a produção entrou em declínio não passando de 50 quilos de ouro anuais.



Figura 5 - Draga de garimpo ano 1985 e barranco de trabalho (Silva, 2018).


Autores: Gustavo Dantas Waughan e Igor Mendes de Oliveira


BIBLIOGRAFIA


Assis, R.R., 2008. Contexto geológico e associação paragenética das mineralizações auríferas de União do Norte, região de Peixoto de Azevedo, Província de Alta Floresta (MT). Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas; Trabalho de Conclusão de Curso; 81p


CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Geologia E Recursos Minerais Da Província Mineral De Alta Floresta (Relatório Integrado). Brasília: [s.n.], 2005.


CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL.. Mapa de Domínios Estruturais - Metamórficos de Juruena Teles Pires em Escala 1:300.000, 2019.


SILVA, F. F. D.;, M. R. MEMÓRIAS, PRÁTICAS E DEGRADAÇÕES GARIMPEIRAS EM ALTA FLORESTA-MT. REFAF, 2018.

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