top of page
Search

Províncias Alcalino-carbonáticas Brasileiras

Principais ocorrências no Brasil


Os depósitos de rochas alcalino-carbonáticos representam pouca expressividade em termos de volume se comparado a outros tipos de reservas brasileiras, tais como o minério de ferro e o ouro. Entretanto, este tipo de depósito mineral apresenta enorme importância econômica, principalmente na área de corretivos para solo, devido à presença de elementos como o fósforo, e fabricação de ligas formadas pelo cal, obtido através do calcário. Neste quesito relacionado à ocorrência, o Brasil ganha destaque internacional, sendo detentor de grandes reservas alcalino-carbonáticas na região Centro-Sul, destacando-se duas das principais províncias kamafugíticas do mundo: a Província Ígnea do Alto Paranaíba - APIP (Gibson et al. 1995b) e a Província Alcalina de Goiás - PAGO (Brod et al. 2005a), ambas situadas na Bacia do Paraná.


Figura 1: Localização das principais ocorrências de rochas alcalinas no Brasil (Berbert 1984, Gomes et. al. 1990, Biondi 2005, apud Ribeiro et. al., 2014), com indicação das províncias e complexos alcalino-carbonatíticos.


Expoentes Alcalino-Carbonáticos no Brasil


Os principais depósitos brasileiros estão relacionados à Bacia do Paraná, detentora de inúmeras províncias Alcalino-Carbonáticas, com idades que variam do Eocretáceo ao Eoceno. A Província Ígnea do Paranaíba é proveniente de intensos processos magmáticos alcalinos, nos quais foram gerados corpos intrusivos e extrusivos de afinidade kamafugítica, resultando em uma das maiores províncias ultramáficas-ultra potássicas mundiais, abrangendo do sul de Goiás até o oeste do Cráton São Francisco e nordeste da Bacia do Paraná.

Figura 2: - Mapa de localização das províncias alcalinas na Bacia do Paraná. As rochas representadas por círculos vazados são do Eocretáceo e as representadas por círculos preenchidos são do Neocretáceo (com exceção da Província Serra do Mar, Neocretáceo a Eoceno). Mapa de GIBSON et.al. (1995b).


Segundo Gibson et al. (1995), o magmatismo alcalino do Eocretáceo está diretamente ligada à pluma mantélica de Tristão da Cunha. Já o magmatismo do Neocretáceo e Eoceno, presentes nas margens norte e nordeste da Bacia do Paraná, está relacionado à pluma mantélica de Trindade (Gibson et al. 1995b, 1997, Thompson et al. 1998). Por conseguinte, levando em consideração este modelo, pode-se considerar que estas Províncias estão associadas ao impacto da pluma sob o Brasil, o que culminou em um aquecimento e fusão de porções ricas em potássio do manto litosférico subjacente.


Os complexos presentes na Província são intrusões de origem multifásica formadas por rochas de origem bebedourítica, carbonatítica e foscorítica, relacionadas entre si por processos de cristalização fracionada e/ou imiscibilidade de líquidos (Brod et al, 2004), tendo destaque o complexo Araxá e Tapira em Minas Gerais.


Figura 3: Mapa de localização dos complexos Araxá e Tapira na Província do Alto Paranaíba. Mapa de Oliveria et al. (1994)


Complexos Alcalino-carbonáticos de Tapira e Araxá na Província Ígnea do Alto Paranaíba


O complexo de Tapira é o mais meridional dos complexos, com uma área de 30 km², dispondo-se a 30 km a SE da cidade de Araxá - MG. É uma intrusão multifásica, resultado da amalgamação de pelo menos duas intrusões de magma ultramáfico, cinco de carbonatito e uma de sienito (Brod 1999). No que se refere a reservas minerais de rochas ultramáficas, tem ocorrência através de dunitos, peridotitos, piroxenitos e bebedouritos, todos cortados por diques ultramáficos de afinidade kamafugítica, com destaque para os carbonatitos dominantes Mg e Ca.


Sendo de maior expressividade em termos de volume, os bebedouritos compreendem variações de minerais essenciais, tais como olivina, apatita, magnetita e flogopatita. Além destes, estão presentes os sienitos e diques de traquito, rocha porfirítica com fenocristais de ortoclásio imersas numa matriz de biotita, aegirina e melanita (Reis, 2010).


Figura 4: B1 e B2 representam unidades de cumulados bebedouríticos. C1 a C5 são sucessivas intrusões carbonatíticas. A área em azul na porção noroeste é uma intrusão sienítica. A linha amarela delimita o contato com as rochas encaixantes. Mapa de Eberhardt, D. B. (2014).


Outras reservas minerais de expressividade econômica em Itapira, estão relacionadas ao manto de intemperismo apresentando concentrações de Titânio, fosfato, nióbio, terras raras e vermiculita, formadas pela alteração intempérica de rochas ultramáficas anomalamente enriquecidas em titânio e fósforo (Grossi Sad & Torres 1971).


O complexo Araxá compõe uma área de 15 km², localizada cerca de 6km ao sul do município homônimo, em Minas Gerais. É destaque mundial devido a expressiva quantidade de recursos minerais depositados, com evidência para a maior reserva mundial de nióbio, além de intrusões de carbonatitos e focoritos no interior do complexo. Além destes recursos com maior expressividade, o complexo é contém carbonatitos, foscoritos, bebedouritos, dunitos, lamprófiros (flogopita-picritos) e um grande volume de flogopititos derivados do metassomatismo sobre as rochas ultramáficas (Traversa et al, 2001, Issa Filho et al, 1984). Nesta província, destaca-se como carbonatito dominante o Mg.


A origem das mineralizações é resultante do enriquecimento supergênico, devido à alteração por meio do intemperismo; associado ao clima tropical de fundamental importância alguns elementos como K, Na, Mg e Ca são lixiviados e outros como Ti, Nb, P e ETR são fixados, por conseguinte apresentando controle para extração deste recurso é dado pela laterização.


Província Alcalina de Goiás


Localizado a Leste da Província Tocantins, o PAGO é considerado um amplo orógeno Neoproterozóico que se desenvolveu entre a colagem do Cráton São Francisco e Amazônico (entre 900 e 600 Ma), devido a convergência e colisão de massas continentais na aglutinação do Gondwana, durante a Orogenia Brasiliana (Pimentel & Fuck 1992, Pimentel et al. 1997). Esta província pode subdividir-se em quatro sub-províncias: Mata da Corda, Alto Paranaíba, Iporá e Santo Antônio da Barra.


Assim como na APIP, o PAGO foi influenciado por plumas mantélicas que formaram kamafugitos, kimberlitos, lamproítos e complexos alcalino carbonatíticos, no qual os depósitos conhecidos restringem-se a jazidas residuais de Ni, que estão associados às porções ultramáficas do complexo alcalino. Dados recentes sugerem que esta atividade magmática em Goiás pode ser dividida em dois episódios entre 890 a 800 Ma., formada em um ambiente intraocêanico formado principalmente por rochas tonalíticas e entre 660 a 600 Ma, no qual o ambiente era possivelmente uma margem continental ativa no final do ciclo Orogênico Brasiliano. (Laux et al., 2005).


A Província Alcalina de Goiás (Lacerda Filho et al., 1999; Moreira et al., 2008) é subdividida em duas unidades: i) Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra e/ou Formação Santo Antônio da Barra e ii) Suíte Plutônica de Iporá e/ou Complexo Alcalino Iporá. A Suíte Santo Antônio da Barra compreende uma sequência de derrames e brechas, compostas por leucititos, olivina leucititos, melanefelinitos, álcali basaltos, tefritos, lamprófiros, traquitos, nefelinitos, teralitos, brechas carbonáticas, condutos de fourchiquitos, kamafugitos, melanonchiquitos e fonolitos (Rezende et al., 1999; Moreira et al., 2008).


Figura 5: Mapa geológico a partir de Gaspar (1977) e Moraes (1984). Mapa de Tereza Cristina Junqueira-Brod et al. (2002).


O complexo alcalino de Iporá abrange uma série de corpos intrusivos de filiação alcalina e natureza plutônio-vulcânica de idade Cretácea (entre 145 e 65 Ma). Estas porções são caracterizados pela natureza plutônica de pequenas dimensões, compostos por rochas duníticas, peridotíticas, piroxeníticas, serpentinitos, gabros, sienogranitos, nefelina sienitos, silexitos, carbonatitos, kimberlitos e lamprófiros. Dentre estes, pode-se destacar Santa Fé, Morro dos Macacos (Iporá), Morro do Engenho, Montes Claros de Goiás, Rio dos Bois, Arenópolis e Buriti (Lacerda Filho et al., 1999; Moreira et al., 2008).


Segundo Danni et al. (1992) esses conjuntos de corpos alcalinos são derivados de magma picrítico alcalino, resultante do fracionamento de olivina, clinopiroxênio e plagioclásio em câmaras subvulcânicas rasas (Cerqueira & Danni, 1994). Segundo Pena & Figueiredo (1972) o magmatismo mais ultrabásico é mais antigo, sugerindo um magmatismo sequenciado, com características cada vez mais ácidas. Cerqueira & Danni (1994) confirmam a cristalização fracionada, e concluem que as rochas subvulcânicas (microsienitos e traquitos) representam pulsos magmáticos tardios, nos quais os traquitos parecem derivar da contaminação de magmatismo mais saturado.


Autor: Lucca Samuel


Referências:


Brod J.A. 1999. Petrology and geochemistry of the Tapira alkaline complex, Minas

Gerais State, Brazil. Tese de doutorado, Department of Geological Sciences,

University Durham, Durham, 486 p.


Brod J.A., Ribeiro C.C., Gaspar J.C., Junqueira-Brod T.C., Barbosa E.S.R., Riffel B.F., Silva

J.F., Chaban N., Ferrari A.J.D. 2004. Geologia e mineralizações dos complexos

alcalino-carbonatíticos da Província Ígnea do Alto Paranaíba. In Congresso

Brasileiro de Geologia, Araxá, Minas Gerais, 42, Atas, p. 1-29.


EBERHARDT, D. B., ELEMENTOS-TRAÇOS EM MINERAIS DO COMPLEXO ALCALINO

CARBONATÍTICO DE TAPIRA - MG, DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, 2014.


Gibson S.A., Thompson R.N., Leonardos O.H., Dickin A.P., Dickin J.G. 1995b. The Late

Cretaceous Impact of the Trindade Mantle Plume - Evidence from Large-Volume,

Mafic, Potassic Magmatism in Se Brazil. Journal of Petrology, 36: 189-229.


Grossi Sad J.H. & Torres N. 1971. Geologia e recursos minerais do Complexo de Tapira -

MG, Brasil. Minas Gerais, DNPM - Departameno Nacional de Produção Mineral,

68p.


Mateus Araujo Bezerra, Mineralogia da Apatita do Complexo Alcalino-Carbonatítico de

Tapira. Universidade Federal de Goiás.


Oliveira I.W.B., Sachs L.L.B., Silva V.A., Batista I.H. 2004. Folha SE.23-Belo Horizonte.

Brasília, CPRM-Serviços Geológico do Brasil, mapa geológico, escala 1:

1.000.000.


Reis R.C. 2010. Estudo de estabilidade de taludes da mina de Tapira - MG. Dissertação

de Mestrado, Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Minas

Gerais, 95p.


Sonoki I.K. & Garda G.M. 1988. Idades K-Ar de rochas alcalinas do Brasil Meridional e

Paraguai Oriental: compilação e adaptação as novas constantes de decaimento.

Boletim do IG USP Serie Cientifica, 19: 63-85.


TOLEDO, M. C. M. de. A variabilidade de composição da apatita associada

àcarbonatitos.Revista do Instituto Geológico. São Paulo, 2001.





575 views0 comments

Recent Posts

See All

Comentarios


bottom of page