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Zona Externa da Faixa Brasília

  • Oct 21, 2022
  • 7 min read

Autoria: Mira Coeli Ribeiro Gomes

Palavras- chave: depósitos, faixa brasília, metalogênese, faixas móveis.

Introdução


A faixa de dobramentos Brasília (FDB) abrange parcialmente os estados do Tocantins, Goiás e Minas Gerais, se estendendo por cerca de 1200 km de comprimento e 300km de largura. Esta faixa compreende cinturões dobrados adjacentes à borda oeste do Cráton São Francisco formados no contexto da orogênese Brasiliana. Sua evolução é entendida como diacrônica estando relacionada a pelo menos duas colisões distintas: (1) colisão entre Crátons do São Francisco e Paranapanema na sua porção meridional e; (2) colisão entre os Crátons São Francisco e Amazônico na sua porção setentrional. A essa última colisão, é reconhecida a interação com o Maciço de Goiás, arcos magmáticos neoproterozoicos e sequências meso-neoproterozóicas.


Segundo Uhlein et al. 2012, o setor meridional da Faixa Brasília apresenta uma estrutura N-S na região centro-sul de Goiás que inflete para WNW na região de Pirenópolis perfazendo um arco de concavidade para SW, possuindo estruturas de lascas imbricadas e o desenvolvimento de duas fases progressivas Dp-1 e Dp relacionadas, respectivamente, à formação da xistosidade Sp-1, subparalela ao acamamento S0, com metamorfismo e lineação de estiramento W-E e desenvolvimento de nappes; e dobramentos assimétricos com xistosidade Sp plano-axial, lineações de estiramento transversais à faixa e falhas de empurrão e reversas com direção N-S e deslocamento para leste. Essas duas fases progressivas marcam zonas estruturalmente distintas além do cráton do São Francisco que é uma região estável.


De acordo com Fuck et al. 1993 e Fuck et al 1994 e corroborando idéias da evolução tectônica de Dardenne (1978) e Campos Neto (1979), a FDB foi descrita como uma faixa monocíclica envolvendo as unidades estruturais externa, interna e cratônica (Figura 1), sendo que a primeira abrange os grupos Paranoá, Araí, Natividade e Canastra; a segunda abrange o Gr. Araxá, Grupo Serra da Mesa e porções do embasamento remobilizado; e a região cratônica se relaciona ao Cráton do São Francisco (CSF) abrangendo o grupo Bambuí e Vazante. Essa compartimentação estrutural justifica-se pelo aumento de leste para oeste (do cráton à zona interna) da deformação progressiva e do metamorfismo. No presente texto, será abordado sobre a zona externa da faixa Brasília bem como os seus depósitos metalogenéticos associados.



Figura 1: Domínio cratônico, faixa externa e interna da FDB. Fonte: TECTÔNICA DA FAIXA DE DOBRAMENTOS BRASÍLIA – SETORES SETENTRIONAL E MERIDIONAL


Conforme abordagem preliminar, a unidade externa da faixa brasília engloba unidades metassedimentares do mesoproterozóico dos Grupos Araí e Natividade, Canastra e Paranoá além de porções arqueano-paleoproterozóicas do embasamento. O grupo Araí têm cerca de 2,5 km de espessura e é composto da base para o topo de quartzitos e metavulcânicas sotopostas a uma sequência pelito-carbonática. O Grupo Paranoá transiciona de leste da faixa brasília para oeste de uma sequência psamítica-pelítica para uma sequência marinha profunda pelítica-carbonática. O grupo Canastra é correlato ao grupo Paranoá porém mais metamórfico, apresentando-se intensamente dobrado e metamorfismo na fácies xisto verde ou suavemente ondulado, e restrito ao centro-sul da FDB.





Depósitos sedimentares de fosfato


Ocorrem dois tipos de depósitos de fosfato relacionados à faixa Brasília: (1) Campo Belo/Arrais e (2) Grupo Vazante. O primeiro está alojado no grupo bambuí na sequência sedimentar transgressiva basal da formação Sete-Lagoas (Figura 2) por sobre os diamictitos da formação Jequitaí. As mineralizações de fosfatos ocorrem em carbonato-fluorapatita na forma de fosforitos laminados, brechas sedimentares, siltitos calcíticos e dolomíticos e brechas lateríticas de superfície. Este depósito já foi estimado em 40Mt com um teor médio de 4,5 a 5% de P2O5. A segunda categoria de depósito de fosfato, relaciona-se ao Grupo Vazante (Figura 3) que ocorre em uma faixa N-S de aproximadamente 250m no noroeste de Minas Gerais. Esse grupo é marcado por uma sequência argilo-dolomítica sendo subdividido em sete formações: Santo Antônio do Bonito, Rocinha, Lagamar, Serra do Garrote, Serra do Poço Verde, Morro do Calcário e Lapa (Dardenne et al. 1997, Dardenne 2000, 2001). Foram descobertos depósitos de fosfato em Rocinha e Lagamar associados à formação Rocinha pela CPRM em 1976. Em lagamar, as reservas dos corpos B e C (Figura 3) produzem 200.000 t/ano com teor de 27,5% de P2O5 e em Rocinha as reservas são estimadas em 415M t com 10 a 15% de P2O5. Esses depósitos têm origem em um sistema glaciomarinho em transição de ambiente redutor para oxidante.



Figura 2: Coluna litoestratigráfica do grupo Bambuí. Fonte: Metalogênese Das Províncias Tectônicas Brasileiras


Depósitos de Pb e Zn relacionados ao grupo Vazante


Relacionados ao Grupo Vazante (Figura 2) ocorrem os depósitos sulfetados do tipo Morro Agudo de Zn e Pb, classificados como SEDEX por Dardenne & Freitas-Silva (1999), Bettencourt et al. (2001), Misi et al. (2005) e Monteiro et al. (2007), e os depósitos de Zn silicatos do tipo Vazante. O depósito Morro Agudo foi estimado pela Votorantim em 18,3M t com teor de 5,08% de Zn 1,75% de Pb e estão alojados nos dolomitos do Grupo Vazante associados à fácies de brechas, brechas dolareníticas e dolarenitos com controle estrutural de uma falha normal de orientação N10W. O depósito de Zn vazante na Serra do Poço Verde é o maior do Brasil, com proporções internacionais, apresentando um teor médio de 20% e já tendo sido extraído pelo menos 30M t de minério. Sua mineralização se relaciona a uma zona de falha N45E com aproximadamente 12km de comprimento e mergulho 50-70NW. Essa mineralização é constituída por willemita associada à hematita e zincita, com frankilinita, smithsonita, esfalerita e galena.



Figura 3: Coluna litoestratigráfica do grupo Vazante mostrando os corpos B e C com mineralizações de fosfato de Lagamar. Fonte: Metalogênese Das Províncias Tectônicas Brasileiras


Depósitos de Pb-Zn-Ag-CaF2 relacionados ao grupo Bambuí


Os depósitos de Pb-Zn-Ag-CaF2 são do tipo stratabound e encontram-se restritos a dolomitos rosados sacaroidais do Gr. Bambuí no vale do rio São Francisco nas proximidades de Januária, Itacarambi e Montalvânia em Minas Gerais e Serra do Ramalho na Bahia. Essa camada de dolomitos corresponde à parte superior do primeiro ciclo carbonáticos regressivo do Gr. Bambuí sobreposto por dolomitos rosados litográficos com tepees e esteiras estromatolíticas. Nessa descontinuidade (Figura 2), ocorre as mineralizações que são representadas por galena argentífera e esfalerita. Estes depósitos são classificados como epigenéticos do tipo MVT.



Depósitos de Ouro na Zona externa


Existem vários depósitos de ouro associados à FDB e eles são classificados de acordo com a idade da mineralização principal, de suas mineralogias e das geoquímicas observadas. Esses depósitos são subdivididos em Depósitos Au-EGP paleoproterozoicos e Depósitos de Au neoproterozoicos.


Depósitos Au-EGP paleoproterozoicos:


Esses depósitos ocorrem nas proximidades dos municípios de Cavalcante (Buraco do Ouro), Teresina de Goiás (Ildecy, Grotão), Aurumina (Mina de Aurumina) e Monte Alegre de Goiás (Novo Horizonte, Morro dos Borges, Tucano) localizados na região nordeste de Goiás e associam-se a zonas de cisalhamento verticais dúcteis-rúpteis dextrais N70E e sinistrais N50W nas proximidades do contato entre granitos peraluminosos e xistos e paragnaisses da Fm. Ticunzal. Ocorrem na forma de veios de quartzo e já foram classificados com hidrotermalitos silicosos ou mega extension gashes. A movimentação e remobilização das zonas de cisalhamento que alojaram essas mineralizações estão relacionadas ao Evento Transamazônico e Brasiliano, respectivamente. Na mina do Buraco do Ouro o ouro está associado a elementos do Grupo da Platina, selenetos, antimonetos, calcopirita e pirita em um veio de quartzo de 500 metros de comprimentos 20 e 25 metros de largura a mais de 200m de profundidade encaixado em um ortognaisse milonitizado, cloritizado e sericitizado. A produção dessa mina, hoje desativada, foi estimada em 10 a 20 t Au com teores médio de 12 a 15g/t com 10 a 12% de Ag associada. No depósito Mina de Aurumina o ouro é associado com galena, esfalerita, arsenopirita, pirita, calcopirita, pirrotita, marcassita e aurostibita em um veio mineralizado de 200 metros de comprimento. 50 cm de espessura a 200 metros de profundidade. O ouro se apresenta disseminado junto com agulhas de rutilo, ilmenita, grafita e siderita apresentando um teor de 14g/t podendo alcançar até 22g/t contendo 8% de prata.


Depósitos de Au neoproterozoicos:


São depósitos de Au associados a zonas de cisalhamento de baixo ( Araxá, Luziânia, Morro do Ouro) e alto (Buracão, Santa Rita, e Rio do Carmo) ângulo. O depósito de Buracão é estimado em 5t de de ouro com teores que variam muito desde 2 a 43g/t. Essa jazida está alojada em veios de quartzo encaixados em quartzitos e ritmitos dos grupos Araí e Paranoá. Esses veios contém pirita, calcopirita e arsenopirita e estão orientados segundo N10E e N50E.Os depósitos de Au do tipo Santa Rita estão encaixados em rochas carbonáticas de sequência rítmicas de quartzitos carbonosos, filitos muscovíticos e carbonáticos intercalados com dolomitos e calcários do Paranoá. A mineralização ocorre em veios e vênulas de quartzo carbonato preenchidos por quartzo, Fe-dolomita, siderita e pirita. O ouro é invisível ocorrendo na pirita e arsenopirita com teores entre 0,1 e 10 g/t, chegando a atingir localmente 60g/t. As mineralizações relacionadas a zonas de cisalhamento de baixo ângulo estão relacionadas a empurrões e cavalgamentos de sequências metassedimentares Araxá por sobre sedimentos do Grupo Vazante devido ao evento Brasiliano. Esse cavalgamento gerou uma zona de cisalhamento com foliação milonítica, foliações S/C, boudinage, lineações de estiramento e lineações minerais. O ouro ocorre na forma livre e se encontra na forma de boudins nos veios de quartzo em associação com a arsenopirita, pirita, esfalerita, galena, siderita e sericita. O teor médio nos boudins que contém de 20 a 25% do minério é da ordem de 2,5ppm.


A província estanífera de Goiás (PEG)


A província estanífera de Goiás (PEG) ocorre no norte de Goiás englobando granitos estaníferos distribuídos nas sub-províncias Rio Paranã (SRP) e Rio Tocantins (SRT). Os principais depósitos da PEG podem ser divididos em: (1) depósitos de estanho associados a granitos e pegmatitos paleoproterozoicos tipo S e; (2) depósitos de estanho associados a granitos paleo-mesoproterozóico tipo A. Os depósitos de estanho e tântalo associados a granitos tipo S (1) situam-se nos municípios de Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás e possuem uma relação com os depósitos paleoproterozoicos das regiões de Monte Alegre de Goiás e Cavalcante. As mineralizações ocorrem como veios, sills, lentes ou bolsões associadas a pegmatitos, greisens e albitititos com ou sem controle estrutural dependendo da região de ocorrência. Os depósitos de estanho associados a granitos tipo A estão relacionados à evolução do rifte Araí sendo as principais ocorrências os depósitos dos maciços Pedra Branca, sub-província Paranã, e Serra Dourada, sub-província-Tocantins. As mineralizações do maciço Pedra Branca ocorrem em endogreisens e exogreisens com concentrações importantes de fluorita sendo enriquecidas em flúor, terras raras, nióbio e índio. As mineralizações do maciço mangabeira constituem-se de leucogranitos róseos, topázio-albita-granito, com teores mais elevados de F, Li, FeO, Al2O3, Rb, Zn e Ta, e leucogranito.


Referências


UHLEIN, Alexandre; FONSECA, Marco Antônio; SEER, Hildor José; DARDENNE, Marcel Auguste. TECTÔNICA DA FAIXA DE DOBRAMENTOS BRASÍLIA – SETORES SETENTRIONAL E MERIDIONAL. Geonomos, [S. l.], p. 1-14, 31 ago. 2012.


Metalogênese Das Províncias Tectônicas Brasileiras. Belo Horizonte: CPRM, 2014. p.389-414.

Sotero, Marcus & Caxito, Fabrício & Dias, Paulo & Sotero, Benjamim. (2019). Análise de fácies e ambientes deposicionais do Grupo Vazante na região da mina de Morro Agudo, Paracatu, noroeste do estado de Minas Gerais. Geologia USP. Série Científica. 19. 195-214. 10.11606/issn.2316-9095.v19-144761.


 
 
 

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